Português English
bullet Notícias

Selo LEED: o Brasil terá uma Copa Verde?

Certificação pode garantir a sustentabilidade dos estádios

Estádios deverão ter o LEED Certified, grau mínimo de certificação
Tamanho da letra
Rafael Massimino
postado em 18/08/2009 17:39 h
atualizado em 26/03/2010 20:26 h

A construção sustentável entrou de vez na agenda da Copa 2014. Em 4 de agosto, o Comitê Organizador Local (COL) recomendou às cidades-sede que adotem nos estádios a certificação LEED (Leadership in Energy and Environmental Design). O selo é conferido pela entidade norte-americana Green Building Council para edifícios com sistemas eficientes de redução de desperdícios e que priorizam o conforto dos usuários.

Especialistas em construção sustentável entrevistados pelo Portal da Copa foram unânimes em apoiar a decisão do Comitê Organizador Local da Copa (COL). Por outro lado, criticaram a demora do COL em solicitar a certificação e a vinculação a um tipo único de selo.

“Tudo o que for ligado à sustentabilidade é positivo”, avalia a arquiteta Heloíse Amado, integrante do CBCS (Conselho Brasileiro de Construção Sustentável). No entanto, Heloíse vê direcionamento na vinculação ao LEED. Cita como alternativa a certificação francesa Aqua/HQE, mais adaptada à construção civil brasileira, sem deixar de apontar que ainda não possuímos um sistema de certificação que reflita com propriedade a realidade do país.

“Como é um investimento grande na reforma e construção de estádios, acho perfeita a recomendação. Por outro lado, vincular a um só tipo de certificado fica muito direcionado. O LEED não foi feito para áreas tropicais. E não sei até que ponto os americanos se proporiam a adaptá-lo”, afirma. Um exemplo da disparidade são as normas de conforto no interior do edifício. “Em Manaus é possível reduzir o calor com um sombreamento”, cita Heloíse, “mas o LEED trata essa questão de forma secundária”.

A adesão do COL à construção sustentável também foi bem recebida por Vicente de Castro Mello, coordenador do Fórum dos Arquitetos da Copa e um dos responsáveis pela reforma do estádio Mané Garrincha, em Brasília. No entanto, o arquiteto relativiza a necessidade de certificação e afirma que a orientação do COL foi feita de maneira “desorganizada”.

Para ele, a recomendação do COL veio “tarde demais”, já que os arquitetos têm até meados de setembro para entregar à Fifa (Federação Internacional de Futebol) o detalhamento dos projetos junto com o estudo de viabilidade econômico-financeira.

“Tenho certeza que cada arquiteto já estava procurando sua certificação. A surpresa foi a desorganização do COL. Qualquer mudança nos projetos nessa fase é extremamente prejudicial. Essas modificações de surpresa atrapalham o arquiteto, que acaba tendo que cobrar mais”, disse.

Estádio Olímpico de Pequim, o Ninho de Pássaro

Para Mello, a questão ambiental envolvendo a Copa do Mundo não pode se restringir aos estádios para que não se confunda com uma simples ação de marketing. Citou como exemplo a Olimpíada de Pequim, em 2008, cujos equipamentos esportivos seguiram normas da construção sustentável, enquanto a poluição atmosférica da cidade aumentou com a realização do evento.

“O estádio Ninho de Pássaro (construído para a abertura e o encerramento da Olimpíada) tem painéis solares, mas a quantidade de minério usado na fachada gerou uma poluição enorme. O consumo de energia foi tamanho durante a competição que exigiu a construção de termelétricas movidas a carvão. A poluição da cidade aumentou 40%, enquanto o ganho energético do estádio foi de 30%”.

O LEED
O selo LEED é fornecido pelo USGBC (United States Green Building Concil), conselho de construção sustentável norte-americano que atua em 115 países. Segundo a orientação do COL, os estádios da Copa devem obter o grau mínimo de certificação, o LEED Certified.

Para isso, o empreendimento deve marcar pelo menos 40 de um total de 110 pontos, distribuídos em sete categorias: espaço sustentável, uso racional da água, energia e atmosfera, materiais e recursos, qualidade ambiental interna, inovação e processo do projeto. Os outros graus são o LEED Silver, Gold e Platinum.

Segundo estimativa de Marcos Casado, gerente técnico do Green Building Concil Brasil (GBC Brasil), a construção sustentável pode custar 5% a 7% mais que a convencional. Gasto, no entanto, compensado por custos menores de operação. “O payback (prazo de retorno do investimento) de um edifício convencional é de cinco a dez anos. Já o de empreendimentos certificados pelo LEED é de três a cinco anos”, garante Casado.

Dados do GBC Brasil apontam que os empreendimentos com selo LEED Certified e Silver têm gasto de energia 30% menor, em média, que os convencionais. Redução que pode chegar a 50% no consumo de água, a 90% no gerenciamento de resíduos e a 35% nas emissões de gás carbônico (CO2).





 
nosso time
realização
Mandarim Comunicação
realização
Sinaenco - Sindicato Nacional das Empresas de Arquitetura e Engenharia Consultiva
tecnologia e criação
XY2 - Agência de Internet
hosting
Telium Networks
segurança da informação
LSI TEC - Laboratório de Sistemas Integráveis Tecnológico
 
patrocínio
Usiminas
Instituto do PVC
Cerâmica Atlas
Atlas Schindler
Lanxess
ArcelorMittal
CSN
Gerdau
Resolução Mínima de 1024x768 - © Copyright 2009 copa2014.org.br Todos os direitos reservados.