Para Mello, a questão ambiental envolvendo a Copa do Mundo não pode se restringir aos estádios para que não se confunda com uma simples ação de marketing. Citou como exemplo a Olimpíada de Pequim, em 2008, cujos equipamentos esportivos seguiram normas da construção sustentável, enquanto a poluição atmosférica da cidade aumentou com a realização do evento.
“O estádio Ninho de Pássaro (construído para a abertura e o encerramento da Olimpíada) tem painéis solares, mas a quantidade de minério usado na fachada gerou uma poluição enorme. O consumo de energia foi tamanho durante a competição que exigiu a construção de termelétricas movidas a carvão. A poluição da cidade aumentou 40%, enquanto o ganho energético do estádio foi de 30%”.
O LEED
O selo LEED é fornecido pelo USGBC (United States Green Building Concil), conselho de construção sustentável norte-americano que atua em 115 países. Segundo a orientação do COL, os estádios da Copa devem obter o grau mínimo de certificação, o LEED Certified.
Para isso, o empreendimento deve marcar pelo menos 40 de um total de 110 pontos, distribuídos em sete categorias: espaço sustentável, uso racional da água, energia e atmosfera, materiais e recursos, qualidade ambiental interna, inovação e processo do projeto. Os outros graus são o LEED Silver, Gold e Platinum.
Segundo estimativa de Marcos Casado, gerente técnico do Green Building Concil Brasil (GBC Brasil), a construção sustentável pode custar 5% a 7% mais que a convencional. Gasto, no entanto, compensado por custos menores de operação. “O payback (prazo de retorno do investimento) de um edifício convencional é de cinco a dez anos. Já o de empreendimentos certificados pelo LEED é de três a cinco anos”, garante Casado.
Dados do GBC Brasil apontam que os empreendimentos com selo LEED Certified e Silver têm gasto de energia 30% menor, em média, que os convencionais. Redução que pode chegar a 50% no consumo de água, a 90% no gerenciamento de resíduos e a 35% nas emissões de gás carbônico (CO2).