Em setembro de 2010 o Brasil sediará a 10ª edição da Homeless World Cup, campeonato internacional criado há sete anos para promover pessoas em situação de risco, milhares no mundo todo que habitam favelas, cortiços e ruas das grandes cidades. Durante dez dias, a praia de Copacabana, no Rio, abrigará os jogos desta copa tão especial. As partidas, ao ar livre, serão disputadas em quadras bem estruturadas, com piso emborrachado, proteções laterais e toda a infraestrutura que exige o evento esportivo. Seleções de países dos cinco continentes estarão no país para "jogar bola" e confraternizar. O atual campeão da Homeless World Cup é - quem diria - o Afeganistão, título conquistado em 2008, na Austrália. No certame, o Brasil ficou com um modesto 7º lugar.
Milão em 2009
O torneio de 2009, a 7ª Homeless World Cup, acontecerá em Milão, na Itália, em setembro, com a participação de 500 jogadores, de 48 países. Os eventos de 2011 e 2013 também já estão marcados, e acontecerão respectivamente em Paris (França), e Poznan (Polônia).O Brasil participou das seis copas já realizadas: em Graz, Áustria (2003, 18 países, 3º lugar), em Gotemburgo, Suécia (2004, 26 países, 15º lugar), em Edimburgo, Escócia (2005, 27 países, 11º lugar), na Cidade do Cabo, África do Sul (2006, 48 países, 16º lugar), em Copenhague, Dinamarca (2007, 48 países, 22º lugar) e em Melbourne, Austrália (2008, 53 países).
Para este ano, já está convocada a seleção que competirá em Milão. O time é formado de 8 jogadores, jovens com idades entre 16 e 19 anos, em média. "Para estes meninos, que no final das preparatórias receberão treinamento de técnicos do Corinthians, a copa é uma chance sem igual de ter uma vida voltada ao futebol", explica Guilherme Araújo, responsável pela candidatura brasileira. Para Guilherme, que é diretor da revista Ocas e coordenador do Programa Futebol Social, esta competição é principalmente um projeto de caráter social, que busca agregar pessoas de todas as idades, inclusive idosos, que também participam em jogos paralelos e nas muitas atividades do evento.
Revelações
Uma seleção feminina também foi instituída a partir da Copa na Dinamarca, em 2007. Nesse campeonato foi eleita como melhor jogadora Michele da Silva, então com 17 anos, hoje uma atleta convocada para a categoria subvinte da seleção brasileira oficial de futebol. Michele era moradora da favela de Cidade de Deus, no Rio de Janeiro, e chegou à Homeless graças ao programa social Bola pra Frente. Outra revelação foi o jogador Carlos Magno, melhor jogador da Copa de 2008. Carlinhos veio da comunidade Vila Nova, na Baixada Santista, e hoje integra um time profissional de futebol.
No Brasil, o campeonato do ano que vem será organizado pela revista Ocas com patrocínio da Nike Brasil, do Sport Club Corinthians Paulista e do Instituto Illuminatus. O Ministério do Esporte já manifestou apoio ao evento, conta Guilherme Araujo. Na sua opinião, o mais importante neste evento é o legado social que traz: "Sabemos que o esporte tem esse poder de recuperar. No Brasil, mais ainda, pode representar uma opção profissional para milhares de jovens, que com isso se afastam das drogas, do alcool, da pobreza".
Mais que uma atividade esportiva, esta Copa quer fortalecer o trabalho das entidades sociais e comunitárias, que se tornam parceiras na preparação do campeonato. "As organizações sociais são nossas parceiras. São elas que podem atrair e selecionar os jovens que, no final, serão classificados para a seleção brasileira. Pois o mais importante, insisto, é o trabalho que está por traz deste evento, e que leva milhares de jovens a abraçar uma esperança de ter uma vida melhor", reitera o diretor da Ocas.