O futuro estádio de Natal, que vai acolher a Copa do Mundo de 2014, dominou o encontro entre empresários portugueses e brasileiros na capital do Rio Grande do Norte.
O encontro aconteceu no âmbito da semana de Lisboa em Natal, promovida pelas duas cidades e pela União das Cidades de Língua Portuguesa (Uccla), que começou na quarta-feira e termina hoje.
"O estado do Rio Grande do Norte tem neste momento muitas oportunidades na área da construção civil, sobretudo o projeto para a Copa do Mundo", afirmou o presidente da Câmara de Comércio Brasil-Portugal do Rio Grande do Norte, Sílvio Bezerra.
Além do futuro Estádio das Dunas, com capacidade para 45 mil pessoas, o complexo para a Copa inclui áreas comerciais, hoteleiras e espaços verdes, num total de 45 hectares.
Localizado no atual centro administrativo de Natal, o projeto vai implicar a demolição das infraestruturas existentes, como os edifícios do Governo Estadual e dois estádios.
Projeto
O Estádio das Dunas estará concluído em dezembro de 2012 para, antes da competição mundial, acolher a Copa das Confederações, em 2013.
O secretário da Administração do Natal, Fernando Fernandes, explicou que o projeto é uma parceria público-privada, destacando o interesse no estabelecimento de "parcerias" entre as empresas que concorrerem à construção da obra.
A Somague, que construiu cinco dos estádios do Euro-2004, em Portugal, e está inserida na parceria que vai construir o estádio de Fortaleza, quer levar a sua experiência nesta área também para Natal.
"Estamos a olhar a construção do estádio das Dunas. Estamos otimistas", disse Gonçalo Abreu, da Somague Brasil, sediada em São Paulo há dez anos.
"A Somague tem experiência na construção de estádios e quer trazer esse valor agregado", acrescentou.
Oportunidades
Apesar de a apresentação das autoridades brasileiras aos empresários se ter centrado no projeto de novo estádio, as discussões também se centraram em outras áreas de negócio.
O escritório CGM Advogados estabeleceu durante o encontro uma parceria com um escritório do Natal, disse à Agência Lusa um dos sócios da empresa, Cal Gonçalves.
O presidente da Câmara de comércio Brasil-Portugal no Rio Grande do Norte destacou ainda as oportunidades de investimento no setor imobiliário brasileiro, que "está em franca expansão", num momento em que este setor europeu se encontra em crise.
O diretor-geral da empresa de engenharia Monte Adriano, Francisco Coelho, que desde março tem uma filial em Porto Alegre, afirmou que o encontro proporcionou contatos para potenciais negócios.
"Surgiu um primeiro contato, que vamos desenvolver e que poderá dar algum fruto no âmbito de uma parceria empresarial", declarou.
O estabelecimento de parcerias permitirá à empresa "entrar com maior facilidade no mercado" brasileiro, que, "comparativamente com o português, apresenta maiores dificuldades".
A criação de uma empresa "pode levar meses a um brasileiro e mais alguns meses a um português", exemplificou. O empresário apontou ainda a "legislação apertada e a burocracia" como os principais obstáculos a serem superados.
Quanto às oportunidades proporcionadas pela construção do novo estádio, Francisco Coelho relativizou. "Nem sempre nos interessamos por aquilo que é o show-off da construção. Estamos mais interessados num trabalho integrado para o desenvolvimento da cidade e da região", concluiu.