"Repasse é ilegal"
“O governo não pode assumir o empréstimo para repassar para a iniciativa privada. Isso é ilegal e não condiz com os critérios indicados pela Lei 11.079/04, que regulamenta as Parcerias Público-Privadas (PPP´s)”, aponta a promotora Juliana Moraes, do MPF.
Segundo a recomendação conjunta dos MP's, o BNDES teria um prazo de 10 dias para se pronunciar. Este prazo termina esta semana. “Nós somos favoráveis à realização da Copa na Bahia, mas sabemos que é possível construir o evento com preços mais justos e obedecendo a lei”, destacou a promotora.
Em nota pública assinada pela Secretaria da Fazenda, o governo da Bahia justificou os motivos pelos quais optou por assumir o empréstimo junto ao órgão financiador. “A rigor, a Concessionária poderia tomar o empréstimo diretamente no BNDES, mas, além da garantia pública oferecida pelo estado, o BNDES exigiria da Concessionária a apresentação de garantias coorporativas, o que oneraria sobremaneira a concessão, gerando um custo adicional não contemplado no contrato de PPP firmado, elevando o valor da contraprestação pública”, afirma o documento.
TCE questiona contraprestação
O outro questionamento surge exatamente deste ponto: a contraprestação pública. A Segunda Câmara do TCE da Bahia questiona os R$ 107 milhões, referente à contraprestação do projeto Fonte Nova, que será pago anualmente por 15 anos.
Convocados pelo TCE, na segunda-feira (5/7), o secretário da Fazenda, Carlos Martins defendeu o governo, argumentando que tudo está sendo feito dentro da lei. “A maior parte da contrapartida é destinada ao pagamento dos juros e correções do empréstimo, alternativa escolhida pelo fato de o Estado não possuir no orçamento os recursos para financiar a obra”, explicou.
Abertura da Copa
Mesmo as obras estando em estado avançado, se estas arestas legais não forem resolvidas, há o risco de a Bahia ficar fora da Copa. O que seria frustrante para uma capital que sonha até com a possibilidade de sediar a abertura do Mundial. O secretário Nilton Vasconcelos, da Setre (Secretaria do Trabalho, Emprego, Renda e Esporte) responsável pela reconstrução da Fonte Nova, não descarta esta possibilidade, mas pondera: “Não estamos pleiteando isto, mas ser Salvador for escolhida, precisaríamos mudar um pouco o projeto e ampliar a capacidade do estádio de 55 para 60 mil espectadores”.