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Ditadura em crise no Brasil, e Guerra das Malvinas, na Argentina

Governos caíam em desgraça e o futebol brasileiro despencava contra a Itália em 1982

Reagan, dos EUA, visita a Bolívia, ou melhor o Brasil...
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Regina Rocha
postado em 12/03/2010 19:14 h
atualizado em 12/03/2010 19:37 h

Em 1982, pela primeira vez, os brasileiros iriam assistir aos jogos da Copa do Mundo com trasmissão ao vivo exclusiva da TV Globo, feita para todas as regiões do país. Caberia assim à televisão garantir o espetáculo, em ano de derrota da seleção brasileira, exibindo em cores o futebol de craques como Falcão, Zico, Sócrates e Júnior.
 
Assim, a Copa vinha mais uma vez aliviar momentaneamente e descontrair o clima de tensão política que havia no Brasil sob ditadura militar. No meio de seu mandato, João Batista de Figueiredo (1979-1985), o último dos generais no poder, continuava empenhado em convencer a sociedade de que os militares fariam a redemocratização do país. Quem poderia acreditar, vindo de um tirano que mal escondia a arrogância e o estilo truculento, em frases lamentáveis, que ficariam para a história...
 
Por exemplo, quando questionado sobre a abertura política, Figueiredo saiu-se com esta: "É pra abrir mesmo. Quem não quiser que abra, eu prendo e arrebento!". Ou, em palavras reveladoras de sua sensibilidade sociológica: "Prefiro cheiro de cavalo a cheiro do povo". E ainda: "Um povo que não sabe nem escovar os dentes não está preparado para votar". Finalmente, ao deixar o cargo em 1985, soltou o desabafo: "Me esqueçam... Quero que me esqueçam!".
 
Claro que, em termos de gafe, o governante brasileiro não estava sozinho. Em 1982, na visita que fez ao Brasil, o presidente e ex-ator norte-americano Ronald Reagan falou no banquete preparado para sua recepção no Planalto: "Gostaria de compartilhar o sonho americano, com um brinde ao povo da Bolívia", disparou.
 
Na cena artística, o ano de 82 começava e terminava com duas baixas importantes: a morte aos 36 anos da cantora Elis Regina, em janeiro, e, em fim de novembro, daquele que ficou conhecido como o mais paulistano dos compositores, Adoniran Barbosa. E os artistas ainda sofriam com a censura, mesmo sob regime de distensão política. O filme Pra Frente Brasil, de Roberto Faria, vencedor dos prêmios de melhor filme e melhor edição do Festival de Gramado de 1982, por exemplo, foi vetado sob alegação de que a obra poderia "provocar incitamento contra o regime, a ordem pública, as autoridades e seu agentes".
 
Itaipu e campanha eleitoral
O ano de 1982 marca a inauguração da Usina de Itaipu, maior hidrelétrica do mundo. No dia 5 de novembro, o general João Figueiredo, em campanha pelo PDS, está no Paraguai, para a abertura das comportas da nova barragem, e alguns protestos, já inúteis, são verificados, porque a obra faria desaparecer do mapa as belas cataratas das Sete Quedas, no rio Paraná.
 
Mas a grandiosidade de Itaipu não consegue disfarçar os efeitos da recessão mundial, que acentua a crise econômica no país, que vivia o fim do chamado milagre econômico. A ditadura recorre ao FMI, e a dívida externa aumenta, a inflação atinge 100%, há recuo nas exportações e estagnação da atividade industrial. Da parte dos trabalhadores, o desemprego provoca refluxo no movimento operário, que faz menos greves mas por outro lado avança na organização sindical.
 
No dia 15 de novembro, são realizadas eleições diretas - municipais, estaduais e parlamentares -, menos para presidente. Embora com horário eleitoral limitado ainda pela Lei Falcão, as eleições dão vitória ao PMDB, revelando a rejeição ao regime militar e abrindo caminho para as Diretas Já (1983-1984), movimento que conquistaria a eleição direta para presidente. Outro fato que marca as eleições de 1982 é a entrada de Lula, pelo PT, na disputa eleitoral para governador de São Paulo.
 

Argentinos na guerra das Malvinas, em abril de 1982: desfecho trágico

Guerra das Malvinas
Se na economia, toda a América Latina vivia a "década perdida", na política os anos 1980 marcariam o ocaso dos regimes autoritários no continente: em 1980 no Peru, em 1982 na Bolívia e em 1985 no Brasil. Apenas o Chile levaria alguns anos mais oprimido pela ditadura do general Pinochet.
 
Na Argentina, o ditador Leopoldo Galtieri sucederia aos generais Viola e o terrível Jorge Videla, no período de menos de dois anos. Galtieri, que imitava gestos do fascista italiano Benito Mussolini, e não escondia seu fraco pela bebida, ficou para a história como o responsável pela desastrosa Guerra das Malvinas, contra a Inglaterra, iniciada em 2 de abril de 1982. Depois da derrota nas Malvinas, ele é substituído por Reynaldo Bignone (1982-83), último presidente do regime militar argentino, que se encarregou da destruição de provas da chamada "guerra suja".





 
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