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Volantes marcam, lideram e decidem jogos

Para Emerson, é preciso ter personalidade para chegar à seleção

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Diego Salgado
postado em 24/02/2010 14:47 h
atualizado em 24/02/2010 15:37 h

A bola alçada na área por Amarildo aos 24 minutos da etapa final tinha destino certo. A cabeça de Vavá, Zagallo ou Garrincha, que fariam o que lhe era de ofício. Assim, o Brasil viraria o jogo que tinha a prorrogação como destino certo. No entanto, aquele lance da final da Copa de 1962 teve o volante Zito como protagonista. E ele não desperdiçou a chance de praticamente garantir o bicampeonato no Chile.

Os volantes se tornaram cada vez mais importantes com a nova concepção de futebol pragmático. Exprimem a vontade e a raça que lhe são habituais e lideram suas equipes dentro de campo. Se posicionam à frente dos zagueiros, cobrem as subidas dos alas ao ataque e muitas vezes decidem os jogos.

Batista, por exemplo, foi o destaque da Batalha de Rosário, em 78, contra os argentinos. Falcão esbanjou técnica nos cinco jogos da Copa da Espanha. Na dolorosa derrota para os italianos, fez o segundo gol da seleção brasileira. Dunga, após ser o símbolo do fracasso no Mundial de 90, ergueu a taça nos Estados Unidos e calou críticos do futebol força. Recentemente, César Sampaio, autor de três gols na campanha do vice-campeonato em 98, foi o dono do meio campo brasileiro.


Emerson fez 6 gols pelo Brasil em 74 jogos e disputou duas Copas

Depois foi a vez de Emerson, que chegou à Copa da França após o corte de Romário e vestiu a camisa amarela por 74 vezes. Ganhou a Copa América de 99 e tornou-se o capitão da equipe após a chegada de Luis Felipe Scolari à seleção. No entanto, uma contusão no ombro às vésperas do Mundial de 2002 tirou o volante da competição. Em 2006, ao lado de Cafu, foi mais uma vez o líder da equipe dentro das quatro linhas.

O volante revelado pelo Grêmio e com passagens pelo Botafogo-SP, Bayer Leverkusen, Roma, Juventus, da Itália, Real Madrid, Milan e Santos fala nesta entrevista sobre as dificuldades de chegar à seleção, analisa os atuais volantes do time brasileiro, revela qual jogador foi o melhor ao seu lado e fala sobre o time da Copa 2014.

Você esperava ser chamado pelo Zagallo em 98? Chegar à Copa dessa maneira assusta o jogador?
Não esperava ser convocado em 98. Cheguei a levar um susto porque a seleção já estava na França e fui para a vaga do jogador que era considerado o melhor na época. Não imaginava que chamariam um volante para a vaga de um atacante. Mas assumi o desafio, tive personalidade e acho que surpreendi a algumas pessoas que não entenderam minha convocação.

Você foi um dos destaques no jogo contra a Holanda (semifinal de 1998). Isso o credenciou para que tivesse vida longa na seleção?
Foi fundamental. O importante foi que tive a chance de jogar porque, se não tivesse, não teria como mostrar meu futebol. O jogo contra Dinamarca (nas quartas de final) também foi difícil e acho que o treinador acreditou e confiou em mim, pois eu não era titular e não é qualquer jogador jovem que é escolhido para fazer parte dos cobradores de pênalti numa Copa do Mundo.
 
Com o passar do tempo, ocorreram muitas mudanças no futebol. A seleção brasileira, por exemplo, é composta praticamente por jogadores que atuam na Europa. Você acha isso um requisito básico para um jovem chegar à seleção?
Na época em que iniciei a carreira na seleção, isso não era necessário. Mas o futebol brasileiro mudou e se desvalorizou. Não digo em termos de qualidade porque o nosso país continua exportando jovens promessas, mas em questões financeiras, pois os clubes enfrentaram problemas nos últimos anos. Acho importante que o jogador da seleção tenha uma vivência do futebol europeu, pois ele vai enfrentar seleções que contam com a grande maioria de jogadores que atuam na Europa. Além disso, também aumenta a experiência para aquelas que tiverem a oportunidade de disputar uma Liga dos Campeões ou uma Liga da Europa. No Brasil, também temos jogadores de qualidade. Tanto que jogadores de clubes brasileiros como Flamengo, Palmeiras, Corinthians e São Paulo estiveram em convocações recentes.
 
Entrosamento é importante para o sucesso de uma equipe? Você prefere jogar com um volante com as mesmas características suas ou prefere um volante que saia mais para o jogo? Qual o melhor companheiro de meio-campo que você já atuou?
Eu sempre preferi jogar ao lado de um jogador que não tinha as minhas características. Minha função sempre foi a cobertura, por isso tinha que me doar para a equipe, mas também tinha mais espaço. Além disso, com apenas um jogador na minha função, o time fica mais técnico. Um jogador que me dei muito bem na seleção foi o Vampeta. Também tenho que ressaltar o meu entrosamento com Viera na época da Juventus, quando me destaquei. 
 
Felipe Melo e Gilberto Silva podem desempenhar um bom futebol na Copa da África do Sul? Teriam volantes mais qualificados atualmente? 
Acho que é uma boa dupla. Gilberto faz perfeitamente a função que lhe cabe, faz o papel que o técnico pede e nunca vai aparecer para a torcida ou fazer gol. Já Felipe Melo não vive boa fase com a Juventus, mas jogou bem na seleção, se deu bem com Gilberto e mostra personalidade. Acompanho mais o futebol italiano até porque joguei no seu clube atual e posso dizer, inclusive, que Felipe Melo não seria convocado hoje em dia pelo o que vem apresentando. Mas, na seleção, ele deu conta do recado e espero que possa jogar bem na África do Sul assim como o Gilberto Silva.   

"É difícil fazer previsões porque muitas coisas podem acontecer em quatro anos, mas Lucas e Ramires são boas apostas e são jogadores que podem ajudar a seleção. Estão sempre na lista de Dunga"

Dos atuais volantes que estão na lista do Dunga, quase todos estarão com uma idade bem avançada na Copa 2014. Qual seria a estratégia para formar a nova dupla de volantes? Unir experiência e juventude é essencial?
Em quatro anos, devem surgir mais de 500 jogadores de alto nível para a posição porque a qualidade do jogador brasileiro é grande. Por isso, não daria para fazer previsões assim. Acredito que uma boa medida que o técnico da seleção poderia adotar é levar um menino promissor, que não precisaria ser necessariamente um volante, para ver de perto como funciona uma Copa do Mundo e sentir a pressão.

Lucas, do Liverpool, terá 27 anos em 2014. Ramirez também. Jucilei, do Corinthians, terá 26. E Hernanes, 29. Esta aí a aposta para 2014? Há outros jogadores jovens que podem jogar a Copa no Brasil também? 
É difícil fazer previsões porque muitas coisas podem acontecer em quatro anos, mas essas são boas apostas e são jogadores que podem ajudar a seleção. Lucas e Ramires estão sempre na lista de Dunga e os outros citados também poderão ter muitas chances. Hoje em dia não adianta apenas jogar por um clube grande para servir a seleção. É preciso ter personalidade.





 
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