O arquiteto e administrador Danilo Carvalho comanda o Grupo Stadia, escritório fundado em 2007 e especializado em projetos de arquitetura esportiva. Somente para a Copa 2014, Carvalho participa da concepção de três arenas: Vivaldão (Manaus), Verdão (Cuiabá) e Arena das Dunas (Natal).
Além disso, a Stadia desenvolve um estudo de viabilidade para o Mineirão (Belo Horizonte), um documento cada vez mais significativo na tentativa de evitar os chamados elefantes brancos – arenas modernas, porém inúteis.
Para escapar da armadilha, o Verdão terá um sistema de arquibancadas desmontáveis que permitirá reduzir 43% da sua capacidade após a Copa. “Verificamos que 40 mil lugares, o mínimo exigido pela Fifa, seria excessivo”, diz Carvalho. O arquiteto estuda a mesma solução para Natal. “Possivelmente terá, mas isso será definido ainda”.
Em Manaus, nem redução de capacidade nem preocupação com possíveis déficits. “Manaus demanda muitos turistas e isso tende a melhorar. Eles acreditam que a Copa e esse ícone (o Vivaldão) trarão mais público.”
Como chegaram ao conceito de arquibancadas flexíveis para o Verdão?
Verificamos que 40 mil lugares – o mínimo exigido pela Fifa – seria excessivo para Cuiabá, que tem pouca tradição, hoje, em futebol. Nossa proposta foi colocar a possibilidade de eliminar 17 mil lugares depois da Copa, através desse sistema.
Vinte e três mil lugares ainda parece muito para Cuiabá, que tem média de três mil torcedores/jogo.
Acreditamos que, primeiro: deve haver um mínimo de capacidade para demandar jogos e fomentar o futebol local. Segundo: mesmo com histórico de público baixo, acreditamos que isso melhore no futuro. E terceiro: o estádio se manterá com outros eventos, como shows.
É uma aposta no desenvolvimento do futebol e do mercado de eventos?
Sim. Acho que todos os estádios estão apostando nisso. Porque para bancar um estádio com essa estrutura, um item básico é o custo. Outro é a renda. E todos estão apostando, acredito, que haja uma melhora no valor médio dos ingressos. Isso aumentará a qualidade e até a troca do público que assiste hoje a futebol. E você só troca o público melhorando a qualidade de infraestrutura, segurança etc.
"Manaus com esse chamariz vai capitalizar mais atenções e de repente pode emplacar uma turnê internacional de shows"