Novas avenidas, sistema moderno de transporte de massa, requalificação urbana da cidade baixa, e orla atlântica, uma ponte aérea, sobre um dos principais parques verdes da cidade e até uma passarela rolante, com mais de 400 metros ligando duas partes do centro histórico. Estas e outras ideias fazem parte programa “Salvador, Capital Mundial”, apresentado pela prefeitura de Salvador ontem à tarde à imprensa.
O pacote reúne mais de 20 projetos elaborados por um grupo de arquitetos e urbanistas. Entre eles, o de mobilidade urbana, composto pela chamada Rede Integrada de Transporte (RIT) e pelo Programa de Obras Viárias (Provia), que prevê a ampliação da Avenida Paralela e a construção de duas novas vias: a Avenida Atlântica e a Linha Viva.
O programa prevê ainda a requalificação urbana, ambiental e paisagística dos bairros da Cidade Baixa, a conclusão das obras da Via Expressa - que liga a BR 324 ao porto - além da modernização da orla marítima e da infraestrutura do Centro Histórico de Salvador.
“As ideias fazem parte de um plano de desenvolvimento da cidade e buscam resolver problemas crônicos provocados pelo crescimento desordenado”, afirmou o prefeito João Henrique. "Salvador hoje assume a posição de terceira maior capital brasileira, com mais de 3 milhões de habitantes", ressaltou ele.
“À primeira vista é uma proposta audaciosa, para mudar completamente a capital e preparar Salvador para os desafios do futuro”, destacou o governador Jaques Wagner. O programa é parte das exigências de modernização do município, tendo em vista a Copa de 2014. "Estas e outras obras como a construção da nova Fonte Nova, já estão no plano de governo do estado e devem ser iniciadas em breve", afirmou.
O encontro, que mais pareceria um evento político-eleitoral, reuniu no mesmo palanque candidatos opositores ao governo do estado: o governador Jacques Wagner (PT) e o ministro da Integração Nacional, Gedel Vieira Lima (PMDB), principal apoiador da prefeitura, entre outros políticos de diversos matizes.
Transporte de massa
No quesito mobilidade urbana, o engenheiro Francisco Moreno Neto, da empresa paulista TTC Engenharia de Tráfego e Transportes, explicou que foram feitos dois grandes planos: a Rede Integrada de Transporte, chamada Transmetrópole, inspirada na Rede Transmillenium de Bogotá, e o Programa de Obras viárias (Provia).
O RIT é um sistema de transporte público de massa, formado por veículos sobre rodas, de alta mobilidade, baixo custo, e com possibilidade de integração com outros sistemas e facilidade de adaptação. Tem capacidade de transportar entre 150 e 200 pessoas por viagem. Na fase inicial serão construídos 36 km de vias exclusivas na avenida Paralela. A segunda etapa atingirá a avenida ACM, Lucaia, Vasco da Gama, até a estação da Lapa, no centro da cidade. Neste primeiro momento o sistema utilizará uma frota de 350 veículos.
A proposta está entre as mais palpáveis, dentre os 20 projetos apresentados. A ampliação da Paralela com implantação do sistema de transporte de massa é o único que já possui recursos garantidos. As obras estão orçadas em R$ 541 milhões e serão financiadas pelo governo federal, através do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social).
Novas Avenidas
Segundo o engenheiro, o Provia, por sua vez, promete resolver o problema os grandes congestionamentos que param a cidade nos horários de pico. Para resolver tais entraves, Moreno apresentou uma gama de soluções que vão desde a ampliação de avenidas, com a construção das vias exclusivas, à implantação de quase 60 km de novas avenidas.
As principais serão a Linha Verde (que vai ligar o Bonocô ao Aeroporto, passando pela Rótula do Abacaxi) e a Avenida Atlântica (da Luiz Eduardo Magalhães à Dorival Caymmi, passando pelo Centro de Convenções). Faz parte desta segunda avenida uma ponte com 1 km de extensão e vão livre de 600m, que passaria por cima do Parque de Pituaçu. As duas avenidas serviriam de alternativa para o fluxo da Paralela.
Projetos sem prazos
Apesar de ter um caráter empreendedor, a prefeitura não apresentou os prazos nem mesmo a origem dos recursos para execução da maioria das obras. Ao ser questionado sobre o assunto, Antônio Abreu, secretário municipal de Desenvolvimento Urbano, Habitação e Meio Ambiente, se reduziu à condição de propositor e declarou apenas que a execução vai depender de uma série de fatores, desde a captação de recursos, a liberações ambientais.
“O momento é de apresentação das propostas à sociedade. A partir daí vamos convocar debates e audiências públicas para que sejam feitas as modificações. Por enquanto temos garantido os recursos para o programa de mobilidade, que deve ser executado antes da Copa, os outros projetos vão depender de outros fatores como captação de recursos e liberações dos órgãos ambientais”, destacou Abreu.
Já o prefeito João Henrique foi um pouco mais ousado, mas também não estabeleceu prazos exatos. “Temos uma gama de projetos para os próximos dez anos, mas muitos deles serão realizados, em virtude da Copa do Mundo, nos próximos quatro anos". Ele ressaltou porém que "o projeto de mobilidade urbana e o de requalificação da orla marítima serão priorizados”.