Em Phoenix - AZ, durante os três dias da GreenBuild Expo, o Brasil foi destacado em um dos vários painéis apresentados, justamente pela grande oportunidade que tem de transformar sua economia com a preparação para os dois maiores eventos esportivos que irá receber nos próximos seis anos. Mais de 35 países estavam ali representados e todos manifestaram apoio às iniciativas do Brasil para organizar a primeira Copa e Olimpíada verde.
Destaques da Conferencia:
O governo de Barack Obama está investindo bilhões em retrofits nos prédios públicos (que precisam atingir um mínimo nível de certificação LEED), criando milhares de empregos verdes e melhorando sua eficiência. Estas novas edificações terão seu custo de manutenção mais baixo, proporcionando o retorno do investimento antes do término do seu atual mandato.
Al Gore, ex-vice-presidente dos Estados Unidos e palestrante, falou sobre a importância da mudança na legislação americana para apoiar e transformar a economia dos EUA em uma economia eficiente e verde, sem a dependência do petróleo. De acordo com Al Gore, 50% da emissão de gases do efeito estufa são provenientes de edificações. Para ele, a falta de eficiência é a grande responsabilidade e o grande desafio lançado aos arquitetos e engenheiros de todo o mundo que estão projetando as edificações do futuro.
O Brasil tem tudo para realizar uma Olimpíada e uma Copa Verde, mas o tempo é curto. Em Pequim, na China, os organizadores começaram o planejamento sobre o impacto ambiental dos Jogos de 2008 sete anos antes do evento. Estamos a quatro anos da Copa e a seis da Olimpíada no Brasil. Desde os aeroportos até as arenas, os hotéis, hospitais e o transporte público, tudo precisa ser planejado para a sustentabilidade. Para dar credibilidade à Copa Verde, acreditamos que seja necessária a certificação ambiental destas edificações com uma entidade de credibilidade internacional. O sistema LEED é o mais reconhecido no mundo. Está trazendo resultados e já tem a liderança no mercado brasileiro graças ao esforço do GBC Brasil (Green Building Council Brasil).
Como tornar a Copa verde da noite para o dia?
Comprovamos em Phoenix que o mercado de construções sustentáveis está crescendo bem, mas que mesmo nos Estados Unidos é necessário incentivo fiscal e financiamento privilegiado para acelerar o desenvolvimento. No Brasil é importante a mesma postura. O governo brasileiro deve ser o maior comprador da sustentabilidade e as agências financeiras (BNDES) e os bancos deveriam criar financiamento privilegiado (taxas de juros mais baixas) para as edificações que atingirem a certificação ambiental diferenciada. Por exemplo, se um hotel atingir uma certificação LEED Platinum (nível mais alto do sistema) o desconto na taxa de juros seria premiada de tal maneira que justificaria o investimento. Assim, os incentivos estariam alinhados para os stakeholders (todos os envolvidos) e o mercado de produtos e serviços se transformaria da noite para o dia.
Acreditamos que a Copa do Mundo do Brasil ainda pode ser a maior ação de Green Building feito até hoje, mas ela precisa ser coordenada e incentivada.
Vamos trabalhar para que a Copa verde não venha a amarelar!
*Ian McKee, economista e LEED AP e Vicente Castro Mello, arquiteto que estiveram no GreenBuild EXPO que aconteceu em novembro em Phoenix no Arizona.