A BHTrans, empresa de transportes e trânsito da Prefeitura de Belo Horizonte, anunciou esta semana um plano de mobilidade para a capital mineira, pensado para modernizar e integrar o sistema de transporte público, e também para preparar a cidade para a Copa de 2014. A implantação do BRT e a expansão do metrô são prioridades. O presidente da BHTrans, Ramon, Victor César, conversou com o Portal Copa2014 sobre estas propostas.
Há alguns dias, em audiência pública na Câmara Municipal, e também durante um congresso do setor de transportes em Curitiba, o sr. apresentou diversas propostas da BHTrans para melhorar a mobilidade na capital mineira. Os planos fazem parte da preparação da cidade para a Copa?
É importante esclarecer que não estamos propondo "projetos para a Copa". O que estamos apresentando é um plano de mobilidade para a cidade, que deverá atender às necessidades de transporte da população para os próximos anos. O tema foi levado à Câmara, em uma reunião do grupo temático que discute a aprovação da proposta orçamentária do município ora em discussão.
Ao elaborar este plano de mobilidade, nosso objetivo foi apresentar soluções que resolvam as deficiências de trânsito da capital mineira. Como tantas outras grandes cidades, sofremos com problemas de aumento da frota e queda na velocidade média dos veículos. Claro, são questões relevantes também para a Copa, mas não foram concebidas em função do evento.
Uma das prioridades é o BRT e o que está sendo chamado de sistema inteligente de ônibus (SitBus). Como será o corredor rápido de BRT de Belo Horizonte?
Como você disse, o BRT (Bus Repit Transit) é um sistema de corredor de transporte rápido por ônibus, e o modelo adotado trouxemos principalmente da experiência de Curitiba. Mais que um corredor, é um sistema tronco alimentado por ônibus novos, articulados, com estação de passageiros nivelada à entrada do veículo, e pista exclusiva com duas faixas por sentido - o que permite que um veículo pare, enquanto o outro segue, sem formar aquele comboio de ônibus parados. Será implantado também o Sistema Inteligente de Transporte Coletivo, com tecnologia que possibilita comodidades ao passageiro, além de controle e fiscalização do serviço pela concessionária.
Ao todo, serão 60 km de vias integradas pelo sistema. O primeiro BRT a ser construído é o da Av. Antonio Carlos - Pedro I, seguido do corredor Pedro II - Carlos Luz, ambos saindo do centro em direção à região norte/noroeste, onde fica o bairro da Pampulha e o Mineirão. Assim, coincidentemente, será uma opção para os turistas, que poderão sair da região hoteleira no centro, e se dirigirem ao local dos jogos da Copa. A avenida Antonio Carlos já está sendo alargada, obra que deve estar concluída até abril do ano que vem. Na sequência, começa a ser implantado o corredor da Pedro II.
A questão urbanística e paisagística, assim como aspectos ambientais, estão sendo considerados nestas obras, que priorizam corredores de ônibus?
Certamente, o meio ambiente está entre as nossas preocupações. É preciso ressaltar que é uma obra de renovação urbanística, em áreas antes deterioradas. Para se ter ideia, no ano passado tivemos a visita do ex-prefeito de Bogotá, Enrique Peñalosa - aquele que fez a celebrada renovação da capital colombiana - que se mostrou muitíssimo impressionado com a obra viária de ampliação da avenida Antonio Carlos. Quanto aos ônibus, a frota de ônibus será toda nova, com veículos "top de linha", que apresentam níveis de emissão de poluentes bem menores.
Qual o custo do BRT, e como serão obtidos os recursos?
Os recursos para a obra viária do corredor Antonio Carlos-Pedro I já estão garantidos e são de aproximadamente R$ 500 milhões. Resta contratar a empresa que implantará o modelo operacional, o que deve ser feito nos próximos nove meses. Já o outro BRT, o que vai da avenida Pedro II até a Carlos Luz, custará cerca de R$ 170 milhões, investimento que esperamos venha do chamado PAC da Copa, que o governo federal promete anunciar em breve. Outros R$ 25 milhões, também do PAC da Copa, deverão ser usados para expandir aos corredores a central integrada de controle de tráfego, projeto que já permite obter imagens dos semáforos na área central e na avenida do Contorno.
E quanto ao metrô, quando será finalmente ampliado?
Primeiro vale lembrar que em BH o metrô é controlado pelo governo federal, e à prefeitura e ao governo do estado resta somente fazer propostas sobre quais obras acreditamos serem necessárias. É um metrô de superfície, com 30 km em operação, e o seu projeto de expansão vem se arrastando há anos... Precisa urgentemente ser modernizado e complementado com duas linhas adicionais: Calafate - Barrero, na Grande BH, e Lagoinha - Savassi.
Os recursos para as obras deverão ser alavancados pelo governo federal. O que estamos propondo é que o projeto de expansão adote o modelo de PPP (parceria público privada) - com concessão para um operador privado. Estado e município poderiam ir complementando os custos da obra ao longo do tempo.
Veja matéria sobre o plano de mobilidade de BH