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Juca Kfouri fala sobre as exigências da Fifa

"É assim no mundo inteiro e não adianda espernear"

Juca Kfouri: "Não será a Copa do Brasil no Brasil"
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Regina Rocha
postado em 11/09/2009 13:33 h
atualizado em 11/09/2009 17:59 h

Numa rápida entrevista por telefone, o jornalista José Carlos do Amaral Kfouri responde três perguntas básicas sobre a Copa do Mundo e explica que o evento é da Fifa, e lembra que ela é quem manda.

1. Juca, como você vê as exigências que Fifa têm feito sobre as cidades-sede, governantes e profissionais que estão trabalhando para preparar os estádios da Copa de 2014?
O fato é que não tem jeito, sempre foi exatamente como todos estamos vendo... E nem poderia ser diferente, afinal a Fifa é uma organização poderosa, com altos interesses, e é ela quem dá as cartas hoje. A Copa envolve um jogo de interesses colossal, de grandes empresas que querem enriquecer com o evento, custe o que custar, do jeito que quiserem, dando de ombros e não aceitando as considerações que possamos fazer.

2. Esse tratamento parece ser mais arrogante com a África do Sul e com o Brasil do que foi com os EUA, ou com o Japão e a Alemanha...
Pois não é bem assim... também na Alemanha, basta fazer uma pesquisa e verá que houve esse tipo de exigência abusiva, e também lá houve protesto e indignação. As notícias traziam os deputados do partido verde protestando o tempo todo. Vou citar apenas um exemplo: a soberania lá foi tão subjugada que até na cerveja – produto do maior orgulho alemão – houve imposições, e nos estádios o que se bebia era a Budweiser, para atender às exigências do patrocinador. Os alemães ficaram indignados, espernearam, mas se submeteram.

Aqui, também iremos espernear, pressionar. Mas não há pressão possível que resolva, quando as autoridades, até o Lula, tratarem com reverência e aceitarem todas essas indignidades que vêm da Fifa. Há protesto, mas há também a TV aberta, sócia desses interesses comerciais, que não dará espaço para os protestos. Então, vamos espernear à toa.

3. Vale a pena fazer a Copa assim, submetendo-se a todo tipo de pressão?
Se fosse para fazer a Copa do Brasil no Brasil, aí sim, valeria a pena... Se fosse para renovar as cidades, melhorar a vida dos brasileiros, aí sim, estaria correto... seria o tal legado da Copa. Então São Paulo melhoraria o seu sistema de metrô; então Manaus construiria um grande aeroporto capaz de atender às necessidades do turismo etc. etc. Mas é o que vemos, não há o que fazer. O que vai acontecer é que veremos a construção de um mundo de elefantes brancos. Mas não poderia ser diferente, se temos à frente disso tudo um homem como o Jerome Valcke. Ele foi o responsável pelo caso Fifa/Mastercard, ao mudar para a Visa, ignorando os direitos e contratos da primeira. Com a quebra do contrato, Valcke causou prejuízo de 90 milhões de dólares aos cofres da Federação. E Valcke é amigo do Ricardo Teixeira, presidente da CBF, hoje um dos cinco homens mais poderosos do (país). Hoje poucas pessoas mandam tanto quanto ele por aqui. E infelizmente o país, as autoridades, todos estão de joelhos, aceitando os ditames desses poderosos. Então, não vimos e vamos repetir o que aconteceu no Panamericano do Rio de Janeiro?!





 
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