Memória e afetividade são as marcas de “Craques do Futebol”. No livro, o jornalista francês Bernard Morlino substitui estatísticas e rankings por uma série de narrativas pessoais da história do futebol. São 87 biografias - acompanhadas de fotos - de jogadores consagrados em todos as épocas e cantos do mundo.
Logo na capa, um Pelé adolescente e assustado é flagrado pela câmera num vestiário do Maracanã. Como os relatos de Morlino, a imagem em preto-e-branco tenta explorar, de modo indireto, os mistérios de um esporte que emergiu dos subúrbios ingleses à esfera das bilionárias transmissões midiáticas.
"Craques do futebol" tenta resgatar exatamente a dimensão inexplicável do esporte. Explorando a face épica, e às vezes trágica, das trajetórias pessoais, Morlino coloca o “rei dos esportes” em pé de igualdade com o jazz, o cinema, a pintura e a cultura pop. Para o autor, o esporte favorito do povo deve ser alçado ao patamar das belas-artes.
É assim que coloca Pelé no panteão dos “virtuosos”, cuja habilidade com a bola é comparada à de Picasso com os pincéis. A dupla Puskas-Di Stefano são os Lennon e McCartney do Real Madrid campeão europeu de 1960. Maradona tinha a dimensão de um Cristo e Zidane, tão importante quanto o pintor Cézanne, fez a França sonhar acordada durante oito anos. Dos arquitetos aos bad boys, dos hippies, como Sócrates, aos pit bulls, como o italiano Gattuso, Morlino analisa todos os estilos de craques, lembrando que os grandes não são apenas os que balançam as redes.