Contrariando todas as previsões, a Alemanha Ocidental derrota a Hungria e conquista o Mundial que teve a maior média de gols da história. A vitória ficou conhecida como o Milagre de Berna, já que ninguém acreditava no fracasso dos húngaros, invictos há 31 jogos. O Brasil, traumatizado com a derrota de 1950, protagoniza uma pancadaria histórica e é eliminado nas quartas-de-final.
Copa da surpresa e da bola na rede
Como a Copa de 50, o Mundial de 54 teve um desenlace surpreendente. Naquela ocasião, o Brasil tinha o melhor elenco e fez a melhor campanha, mas perdeu o título para o Uruguai em pleno Maracanã. No torneio suíço a grande favorita era a Hungria, seleção que mais se aproximou do ?futebol arte? no começo dos anos 50, mas que acabou derrotada pela disciplina e pela força do futebol alemão na final.
O resultado ficou conhecido como o Milagre de Berna e até hoje é considerado uma das maiores injustiças do futebol. A seleção húngara, campeã olímpica de 52 e invicta há 31 jogos, seria desmembrada dois anos depois como consequência da invasão soviética conhecida como Primavera de Praga, e jamais ganharia o título mundial.
Mas se por um lado a Copa teve uma das decisões mais injustas da história, por outro bateu recordes de bola na rede. Nas suas 26 partidas foram marcados 140 gols, média impressionante de 5,4 por jogo.
A Copa também marcou a volta do futebol mundial à Europa depois de 16 anos. A escolha da Suíça foi antes de tudo política. O país havia se beneficiado da sua neutralidade durante a Segunda Guerra e manteve sua infraestrututa intacta. Além disso, sua capital Zurique era a sede da Fifa, e a entidade comemorava o cinquentenário da sua fundação em 1954.
Pancadaria mancha seleção brasileira
Depois do Maracanazzo, a palavra de ordem na seleção brasileira era renovação. A nova comissão substituiu jogadores, técnico e aposentou o uniforme branco usado na decisão de 50. A estratégia funcionou até as quartas-de-final, quando o Brasil foi eliminado pela Hungria por 4 a 2.
Neste jogo, as equipes protagonizaram o pior episódio do torneio. Com a bola rolando, predominou a violência dos jogadores brasileiros e os revides do adversário. Depois da partida, uma pancadaria envolveu jogadores, dirigentes e jornalistas. O jogo passou para a história como a Batalha de Berna, e contribuiu para manchar a imagem do Brasil na Europa.
Após a pancadaria, a Hungria venceu o Uruguai por 4 a 2, na semifinal. O bicampeão (1930-1950) havia passado pelos ingleses, nas quartas, mas amargava pelas mãos dos húngaros sua primeira derrota em Mundiais.
O caminho da Alemanha à decisão foi mais tranquilo. A seleção de Sepp Herberger derrotou a Iugoslávia, nas quartas, e goleou a Áustria por 6 a 1 na semifinal.
Milagre alemão
A Hungria chegou à decisão transbordando favoritismo. Além das goleadas em Brasil e Uruguai, havia massacrado a própria Alemanha Ocidental na fase de grupos pelo placar de 8 a 3.
Neste jogo, o principal craque húngaro, o atacante Puskas, levou uma pancada que o afastou da competição. Ele voltou a campo na final, contra os próprios alemães, jogando sob o efeito de sedativos. Mesmo assim, foi ele quem abriu o placar logo aos seis minutos de jogo ao aproveitar uma falha da defesa alemã. Três minutos depois Czibor ampliou a vantagem.
Os 60 mil torcedores no Wankdorf Stadion assistiam ao óbvio, mas aos 18 minutos a Alemanha Ocidental igualou o marcador. A partir daí, o jogo teve poucos lances de perigo. Mas, aos 39 do segundo tempo Rahn aproveitou rebote da zaga húngara e acertou o canto direito de Grosics. Com o placar de 3 a 1, a Alemanha Ocidental conquistou sua primeira Copa do Mundo.