A Copa de 2014 no Nordeste é que nem castelo de areia…

1 de setembro de 2010 por Carlosergipe | Copa 2014
kkkk

Em Natal e em Fortaleza, os estádios Machadão e Castelão nem sequer foram fechados. Já em Recife e em Salvador, nada foi construído.

Depois que a última coluna “O futebol sergipano ainda existe?” foi publicada aqui, recebi vários emails de companheiros da imprensa nordestina destacando a situação precária do futebol em seus respectivos Estados, e depois disso uma pergunta não saiu mais da minha cabeça: não era melhor que os empréstimos e os investimentos que estão sendo feitos para a Copa 2014 no Nordeste fossem utilizados para a reconstrução do futebol nordestino como um todo? Sim, seria no mínimo inteligente. Esse negócio de Copa do Mundo no Nordeste está cada vez mais claro para mim que acontecerá da mesma forma que ação de prefeitura quando vai para bairro carente fazer um dia de ação social. Vai lá, leva sua infra-estrutura de alimentação, esportes, lazer em geral, e transforma aquele dia-a-dia sofrido num dia de sonhos.

É o que acontece com Natal, por exemplo, que atualmente tem um time na Série B e outros dois na Série C, tem um fraco campeonato estadual e, incrivelmente, foi a sede brasileira que mais gastou no quesito projeto para a Copa de 2014: R$ 27 milhões (quase o dobro da terceira que mais teve custos). Isso sem falar no custo de cerca de R$ 400 milhões que o Estádio das Dunas vai trazer e todas as outras ações do governo do Rio Grande do Norte, nas áreas de mobilidade urbana, aeroportos, turismo, etc. Aí eu pergunto: do que vai adiantar tudo isso se quando o encanto da Copa acabar voltaremos para os nossos estaduais esvaziados, para os nossos times sem estrutura, para o nosso futebolzinho amador?

E não adianta vir com esse papo que toda essa estrutura vai impulsionar o crescimento do nosso futebol, que eu não caio nessa balela! Afinal você já viu alguém dá um jatinho a um menino pobre e ele saber utilizar? Você já viu alguma pessoa sem instrução ganhar R$ 20 milhões na loteria e fazer esse dinheiro render? Já imaginou como um milionário e gigante Estádio das Dunas (capacidade: 45 mil lugares) será mantido só com o clássico ABC x América-RN? E um Baptistão reformado para receber mil pagantes (e dois mil não pagantes…) para ver Confiança x Sergipe?

Detalhe é que desde o início de 2009, quando comecei a fazer a cobertura jornalística das sedes e das possíveis subsedes nordestinas para o Portal Copa 2014, ouvi promessas que as licitações estavam prontas e que o trabalho estava acelerado e, inclusive, à frente de outras regiões do Brasil. Tudo conversa fiada! Natal ainda está em fase de licitação para o Estádio das Dunas. Recife conseguiu só essa semana a liberação ambiental para começar as obras da Cidade da Copa. Já a nova Fonte Nova, em Salvador, e o novo Castelão, em Fortaleza, estão na mesma e preocupante situação.

Segundo o cantor Lulu Santos, “Nada do que foi será, de novo, de um jeito que já foi um dia, tudo passa, tudo sempre passará, a vida vem em ondas, como um mar”. Mas me desculpem os fãs de Lulu e todos aqueles que acham que isso é verdade. Desse jeito, a fase negra do futebol nordestino não vai mudar, e se isso acontecer, vai mudar para pior (tem como?). Pois o castelo de areia com certeza vai ficar imponente, brilhoso, lindo (com os investimentos fantásticos do poder público e dessas parcerias privadas que vão lucrar por 30 anos), mas quando a onda chegar, ou melhor, quando a Copa passar, ele vai desmoronar…

E “quem espera que a vida, seja feita de ilusão, pode até ficar maluco ou morrer na solidão, é preciso ter cuidado, para mais tarde não sofrer, é preciso saber viver”. Contudo, dá para ultrapassar essa gigante pedra num caminho com várias flores com espinhos? Enquanto você pensa na resposta, eu faço questão de repetir: é preciso saber viver futebol nordestino…

 O futebol sergipano ainda existe?

25 de agosto de 2010 por Carlosergipe | Futebol Nordeste

Toda semana eu sento no computador, entro em sites que destacam o futebol nordestino e tento encontrar coisas boas para falar sobre o futebol sergipano. Infelizmente, vejo que Bahia, Alagoas, Pernambuco, Paraíba, Rio Grande do Norte e Ceará tem representantes ou na primeira, ou na segunda ou até na terceira divisão, e que, junto com Piauí e Maranhão, Sergipe só tem representantes na Série D. Vale lembrar, que todos os Estados do Brasil têm vaga assegurada na quarta divisão, ou seja, todas as federações têm seus espaços assegurados mesmo que o futebol realizado em seu Estado seja de nível amador para baixo.

E me desculpe quem está pensando que é uma falta de respeito falar assim do nosso futebol, que sem dúvida tem uma rica história, mas que está sendo cada vez mais manchada por este interminável momento tenebroso que vivemos. Com todo respeito ao Piauí e ao Maranhão, mas estar no nível do futebol deles é estar sim no fundo do poço. Até porque para quem não se recorda no ano passado o futebol maranhense protagonizou o maior absurdo que eu vi na história do futebol: um time “abriu as pernas” para o adversário, que acabou fazendo nove gols em onze minutos, e ninguém foi punido. Já o futebol piauiense, que só inicia sua temporada em março, costuma apresentar absurdos como ter jogos normalmente às 9h da manhã (lembre-se que estamos falando de um dos Estados mais quentes do Brasil).

O mínimo que poderíamos ter, que era um time na terceira divisão, não temos mais. A estrutura profissional dos clubes está sucateada e os dois grandes times da capital, que poderiam ser exceções para o resto do Estado, estão afundados em problemas financeiros e historicamente políticos. O pior de tudo isso, é que nossos dirigentes não só costumam errar, como repetir o mesmo erro por diversas vezes. Veja o Confiança, por exemplo, que trouxe os mesmos indivíduos de pouco tempo atrás para disputar a Série D deste ano, aqueles mesmos que entraram em conflito com a torcida em 2008 (no ano do “Vamos subir Dragão”) por causa de problemas de comportamento de alguns e comando do seu treinador, na reta final para conquistar o acesso para a Série B. Dois anos depois, o que acontece? O óbvio! O Dragão é eliminado na primeira fase do último escalão do Campeonato Brasileiro.

E o Sergipe, hein? O maior campeão do Estado brigou para não ser rebaixado no fraquíssimo campeonato estadual deste ano e nem na quarta divisão está. Parece que nem a saída do maior mandatário da história do futebol colorado amenizou a situação. O time está no topo de baixo da tabela do Nordestão e com um time “sensacional”, que, diga-se de passagem, é o grande favorito para cair. Agora sou eu que pergunto: cadê o movimento “Quero meu Sergipe de volta”? Pois eu, sinceramente, quero entrar nesse movimento e ver o que andam fazendo para que o Sergipe volte a se portar como um clube grande que é.

Acorda futebol sergipano! O fim do poço já chegou! Não tem mais para onde ir! Chega de querer aparecer para o Brasil em apenas um jogo de Copa do Brasil contra um time do sul-sudeste do país. É muita humilhação para todos aqueles que amam o seu Estado, que tentam torcer pelos clubes daqui, mas que não conseguem pelos fracassos sem fim. Contudo, é lamentável mais uma vez ter que dizer isso aqui, mas alguém precisa ser sincero, não é? Se a paixão do brasileiro é o futebol, dá sim para se fazer algo profissional e sustentável num Estado que cresce tanto como Sergipe. Mas o que fazer de concreto? Basta mudar as pessoas que comandam o futebol sergipano? Resolve alguma coisa reformar o Baptistão para ser subsede da Copa de 2014? Os clubes devem recorrer ao poder público ou até as parcerias permanentes com o setor privado?

 Vovô assaltado e discriminado… Por que será?

18 de agosto de 2010 por Carlosergipe | Futebol Nordeste
O velhinho conseguirá atravessar a rua? Ou melhor, qual é o limite do Ceará neste Brasileiro? Libertadores?

O velhinho conseguirá atravessar a rua? Ou melhor, qual é o limite do Ceará neste Brasileiro? Libertadores?

A Copa do Mundo pode ter sido benéfica para muitas coisas no planeta, inclusive para o futebol como um todo tendo a Espanha como campeã, mas para o Ceará ela foi um verdadeiro abismo, um obstáculo que até hoje parece intransponível. Invicto e líder do campeonato em número de pontos, com cinco vitórias e dois empates nas sete primeiras rodadas, o Vovô estaria na zona do rebaixamento se por acaso só levássemos em conta o período pós-copa neste Brasileirão, onde obteve 4 empates e 3 derrotas.

Porém, se não fosse a maldade dos ladrões o Vovô poderia ter em sua carteira seis empates e apenas uma derrota neste período pós-Copa, o que seria positivo se levássemos em conta os adversários enfrentados. Afinal, empatou com Corinthians e Palmeiras em casa e com o Guarani fora, e foi assaltado no Beira-Rio e no Maracanã, quando inventaram pênaltis em cima de Giuliano e Williams. Ou seja, das três derrotas a única justa foi contra o São Paulo no Morumbi, por 2 x 1.

Não adianta falar que é chororô da torcida cearense, nem dos amantes do futebol nordestino. Os assaltos, que começaram a acontecer na segunda rodada do Brasileiro quando o Ceará foi a Vila Belmiro e teve um gol mal anulado e um pênalti mal marcado em cima de Neymar (que deu uma de ator), estão tão descarados e impunes que até a imprensa do sul e do sudeste do país vem batendo nesta tecla em suas tradicionais mesas redondas esportivas.

Assaltos a parte, o Vovô vem fazendo na elite do futebol brasileiro o que um time com o seu poder aquisitivo pode fazer. A queda de rendimento, depois daquele início avassalador, era algo possivelmente premeditado. As vitórias por 1 x 0, sofridas, suadas e aguerridas, deram espaço aos empates conquistados. O que não pode por hipótese alguma acontecer é empatar em casa com o lanterna Atlético-GO, isso sim é uma derrota. Por isso concordei plenamente com a demissão de Estavam Soares, que em momento algum implantou o seu trabalho.

Deste modo, a diretoria decidiu apostar em Mário Sérgio, que é bastante limitado, ainda mais sabendo que tinham melhores no mercado. Sabendo disso, no Programa “Nordeste Futebol Clube” da Rádio Gazeta AM de São Paulo conversei com o diretor de comunicação do Ceará, Danilo Ferreira, que confirmou que a diretoria telefonou para outros técnicos que, ou recusaram a proposta, ou simplesmente quando souberam que era o Vovô nem ouviram o que os dirigentes tinham a dizer. “O Ceará por ser um time que depois de 16 anos voltou para a Série A, e é um time do Nordeste, quer queira ou não, ainda existe uma certa discriminação por parte das pessoas que fazem o futebol. Mesmo sabendo que o Ceará é um clube que paga em dia, que tem todas as dívidas trabalhistas quitadas e que tem uma estrutura invejável, tem técnico que nem o telefonema do presidente Evandro Leitão atende”.

E como sou jornalista, claro que perguntei quem seriam esses treinadores. No início, o diretor cearense preferiu não se pronunciar. Porém, magoado, ele desabafou: “Tem treinadores que acabaram de sair de clubes da Série A, que nem quiseram ouvir nossa proposta”. Foi aí que o comentarista Renato Bagre entrou em ação: “Não precisa dizer quem é. Só balance a cabeça aí do outro lado do rádio se for ele. Foi o Silas?”, e o diretor não se conteve e acabou confirmando que o ex-técnico do Grêmio foi um dos técnicos que ignoraram o Vovô. “Engraçado que há dois anos ele estava no Fortaleza, depois foi para o Avaí e para o Grêmio. Acho que ele não quis voltar para cá porque achou que ia baixar a bola dele”.

Contudo, fiquei curioso para saber: assaltar o velhinho é mais fácil? Esse caso de técnicos que estão no eixo sul-sudeste nem ouvirem a proposta do Vovô é um sinal que ainda existe discriminação com o futebol nordestino?

Ganso e Neymar: difícil apontar quem foi o melhor em campo neste primeiro amistoso da Era Mano Menezes.

Ganso e Neymar: difícil apontar quem foi o melhor em campo neste primeiro amistoso da Era Mano Menezes.

Chega de brucutus, chega de fazer jogadas para ganhar o escanteio e explorar a bola área. Esqueça esse negócio de comprometimento em primeiro lugar e talento em segundo. Deixe esse futebol para Alemanha, Itália e cia limitada que não tem o que o Brasil tem, que é Ganso, Neymar, Pato, Robinho, Ramires, ou melhor, que é o futebol arte.

A população brasileira não fez nada para merecer aquele mau humor e stress estampado na seleção que foi para a Copa. Pelo contrário, é um povo sofrido, que trabalha, ganha salário mínimo, e tem no futebol a sua maior alegria, o seu momento de diversão. Povo este, que não pôde assistir ao espetáculo protagonizado pela amarelinha, porque a maior emissora de TV do país decidiu comprar os direitos exclusivos de transmissão do amistoso e não transmitir em canal aberto. Que palhaçada, hein? Imagine se ela compra os direitos da Copa de 2014 e decide fazer a mesma coisa. Que falta de respeito com o povo brasileiro! Tirou aquela que é grande satisfação do nosso povo, que é ver a sua seleção em campo.

Absurdos que só a CBF consegue protagonizar com os seus parceiros à parte, tudo isso que a imprensa brasileira está falando hoje, foi antecipado aqui no Portal Copa 2014 há 15 dias, quando a coluna intitulada “A nova seleção brasileira…” afirmava que esse novo Brasil jogaria no sistema 4-2-3-1, o mesmo utilizado por Mano no time do Corinthians campeão paulista e da Copa do Brasil em 2009 e no próprio Santos de 2010.  E não foi diferente. Numa estreia sem sustos e com muito toque de bola, ficou difícil apontar pontos negativos.

Do time que eu esperava que fosse ser escalado, só Marcelo ficou no banco e deu lugar a André Santos, que mesmo sendo inferior tecnicamente, não comprometeu. A zaga tanto esteve bem, que anulou o melhor americano em campo, o atacante Donovan. Já Daniel Alves, não estava nos seus melhores dias. Além de errar muitos passes, não conseguiu em nenhum momento acompanhar as espetaculares jogadas de Ganso e Neymar.

Falando na dupla santista, é inegável dizer que eles foram os melhores em campo. Tanto que, era impossível deixar de pensar: “Como que esses dois não foram para a Copa”. Não foram porque Dunga não é técnico, porque não tinham amizade com o capitão do Tetra. Mas isso é passado! O presente, e, principalmente, o futuro, nos faz sorrir, nos faz ter vontade novamente de reunir os amigos para assistir um simples amistoso. Afinal, agora está proibido jogar feio. Como o próprio Mano Menezes disse: “Não jogo para frente porque a mídia e a torcida pedem. Jogo, porque é o jeito mais fácil de ver o futebol brasileiro novamente no topo”.

E nem eu, nem ninguém deve discordar de Mano Menezes. O Brasil é o que é hoje pelo que futebol-arte que apresentou em toda a sua história, futebol este que o fez chegar ao posto de maior campeão do mundo. Tanto é verdade, que a bagunçada, mas talentosa seleção da Argentina na Copa fez em alguns momentos muitos brasileiros pensarem: “Eu queria que o Brasil jogasse assim”. Contudo, vamos parar de pensar que só porque ganhamos o Tetra na raça, tem que ser assim. Ganso, Neymar e cia limitada podem fazer muito mais, podem fazer aquilo que todo brasileiro quer: ganhar, jogando bonito.

 A Bahia não é de todos os Santos!

3 de agosto de 2010 por Carlosergipe | Futebol Nordeste
O Vitória precisa ou do placar de 2 x 0 para levar para os pênaltis ou de três gols de diferença para conquistar o título.
No Barradão, o Vitória precisa ou do placar de 2 x 0 para levar para os pênaltis ou de três gols de diferença para conquistar o título inédito da Copa do Brasil.

Acabou a espera. Hoje é mais um dia daqueles históricos para o futebol nordestino. Independente do que acontecer no Barradão temos todos que bater palmas para o Esporte Clube Vitória, que desde 1993, quando perdeu aquela final do Brasileirão para o imbatível Palmeiras da Era Parmalat, é o nosso maior representante na elite do futebol brasileiro (Destes 18 anos, foram 15 na Série A). Mas calma, não me entenda mal. A batalha foi perdida na Vila Belmiro, mas a guerra pra valer, acontece hoje, no Barradão.

Que o diga o Corinthians em 2008, quando venceu o primeiro jogo no Morumbi, em São Paulo. Naquela ocasião, o Sport precisava fazer dois gols e não tomar nenhum jogando em casa para conquistar a Copa do Brasil. Em 2010, o Vitória pode ser campeão da mesma forma (nos pênaltis), e levando em conta o retrospecto que tem no Barradão (fez 19 gols e não levou nenhum em 5 jogos), está longe de ser uma tarefa impossível. Está certo que o Santos de hoje é muito mais time do que aquele Corinthians que disputava a segundona em 2008. Mas o Sport também era mais fraco do que esse Vitória que chegou a final; não o que disputou a primeira partida na Vila Belmiro, pois aquele time está proibido de entrar em campo hoje. Ricardo Silva prometeu que aquele espírito e ar de inferioridade ficaram na Vila Belmiro, e que hoje, ganhando ou perdendo, o Vitória será o protagonista do jogo.

E vai ser. Com o retorno de Viáfara ao gol, o time ganha um líder, um ídolo, um craque, que costuma aparecer em momentos decisivos. Quem volta também é o lateral Nino Paraíba, peça chave do apoio do lado direito do Leão e um dos melhores jogadores do atual elenco baiano. Quem não vem brilhando e que precisa aparecer é o Diabo Loiro, Júnior, que tem tudo para ser um dos destaques dessa final. Ainda mais sabendo que o Leão não vai entrar com três volantes como foi em Santos. Bida ou Renato devem dividir a armação com Ramón e Elkeson (que funciona como meia, ponta e atacante).

Já o Santos, aquele do primeiro semestre, definitivamente não existe mais. O clima de irmandade entre os meninos da Vila acabou. Crises internas pipocam para todos os lados, diretoria se cala na confiança que o título vai apagar tudo isso, e os torcedores já sabem a quem culpar se o peixe não voltar vivo de Salvador: o menino Neymar, de 18 anos (e a depender do que acontecer, é capaz de alguns não voltarem mesmo). E falando nisso, no último sábado conversei no Programa Nordeste Futebol Clube da Rádio Gazeta AM de São Paulo com o goleiro do Vitória, Lee, que me confirmou que havia estudado o tipo de cobrança de pênalti de Robinho e Neymar. “Quando vi que não era o Robinho que ia bater fiquei feliz. Afinal, já sabia que vinha cavadinha, pois paradinha não é mais permitido”, comentou, acrescentando que ele o subestimou por ser o segundo goleiro do Vitória e concluiu: “Ele queria fazer graça”.

Contudo, o principal reforço do Leão baiano é o mesmo daquele Leão pernambucano campeão da Copa do Brasil 2008. O Barradão é a Ilha do Retiro do Vitória. Onde o campo tão criticado, a torcida inflamada, o clima quente, enfim, onde tudo está a seu favor. Não tenho dúvidas que se o Santos fizer um gol antes do Vitória, a torcida vai gritar: “Guerreiro, guerreiro, time de guerreiro”. E guerreiros como são, não vão entregar a batalha tão facilmente como muitos acham… Digo mais, o mais provável é que o Vitória mostre hoje para o Brasil e para o mundo aquilo que todos devem saber: a Bahia não é de todos os Santos.

 O Leão não está morto…

29 de julho de 2010 por Carlosergipe | Futebol Nordeste
Viáfara é presença certa no gol do Leão no jogo de volta.

Viáfara é presença certa no gol do Leão no jogo de volta.

A primeira partida da final da Copa do Brasil 2010 foi bastante movimentada e teve o Santos como merecedor do resultado final: 2 x 0 . O Vitória não conseguiu prender a bola no campo de ataque, que por sinal, teve Schwenck em uma noite nada inspirada. Quem também precisa esquecer esse jogo é Ricardo Silva, que escalou muito mal o lateral-direito Rafael Cruz (que não acompanhou Neymar e assim acabou falhando no primeiro gol), não colocou Júnior no jogo e mandou a campo um time com medo de perder. Outra coisa que não entendo é porque o volante Fernando virou o batedor oficial de faltas. Tirando isso, o Santos teve seus méritos, tem um baita time e poderia ter saído da Vila Belmiro campeão…

Sim, eu disse poderia! O que eu já imaginava, aconteceu. Ao final da partida, comentaristas de todo o Brasil cravaram o Santos campeão. E esse clima de “já ganhou” é muito bom  para o Leão da Barra, que em casa fez 19 gols em cinco jogos, e o melhor, não tomou nenhum. É claro que o Santos é um time superior aos que o Vitória enfrentou e por isso está na final, mas no Barradão a história é sempre outra…

Ainda mais quando todos sabem que devem voltar ao time o goleiro Viáfara, o lateral Nino Paraíba, e precisando da dois gols ou mais, tem grandes chances de vermos um Leão com dois volantes, dois meias e dois atacantes, o que é a meu ver uma formação mais inteligente, ainda mais sabendo que Ramón já tem uma certa idade e precisa de alguém para dividir a armação do Vitória.

E você… O que acha? O Leão está morto?

P.S.: Que papelão fez a torcida santista, hein? Além de não apoiar o time, fica vaiando o melhor jogador do Santos e chamando Dorival Júnior de “burro”.

 A nova seleção brasileira…

26 de julho de 2010 por Carlosergipe | Copa 2014
O primeiro teste desta seleção Brasileira é no dia 10 de agosto, no amistoso contra os EUA.

O primeiro teste desta seleção brasileira é no dia 10 de agosto, no amistoso contra os EUA, em Nova Jersey.

Mano Menezes não tem nem de longe o gabarito de Muricy Ramalho, e é um técnico que em momentos decisivos mostrou imaturidade, como na final da Copa do Brasil 2008 e na eliminação frente ao Flamengo na Libertadores deste ano. Porém, como todo bom técnico, tem seus méritos, e mesmo sem nenhum título de grande porte no currículo pode sim se dar bem na seleção. Ainda mais quando tínhamos no comando da mesma o “simpático” Dunga, que como o comentarista da Rádio Gazeta AM Bruno Bonsanti costuma dizer, nunca havia sequer treinado o time da escola do seu filho.

Sabendo disso, hoje a seleção brasileira tem um técnico de verdade, que por sinal, tem duas coisas positivas que o “the best” Muricy não tinha: controle emocional, o que facilita e ajuda na relação com a imprensa e principalmente com o povo, e é muito menos teimoso, característica essa presente também no “saudoso” Carlos Alberto Parreira. Mas além do técnico, hoje é dia de falar da primeira convocação na Era Mano Menezes, que salve raras exceções, foi muito boa.

No gol o gremista Victor, aquele que foi o maior injustiçado na lista convocatória para a Copa da África do Sul e que é o melhor goleiro do Brasil há alguns anos. Para a reserva uma surpresa, o goleiro botafoguense Jefferson, que é mediano e por isso não deve durar muito na seleção, ainda mais porque acredito que o ciclo de Júlio César não acabou. Como boa aposta, o gigante e menino Renan, que veio das categorias de base do Avaí e tem idade olímpica. Para a defesa, Mano foi impecável: Thiago Silva (Milan), David Luiz (Benfica), Rever (Atlético-MG) e Henrique (Barcelona/emprestado ao Racing-ESP). Assino embaixo!

Na lateral-direita, destaque para a manutenção de Daniel Alves e para a chegada do ótimo Rafael, menino que foi revelado pelo Fluminense e que chegou ao gigante Manchester United da Inglaterra com a moral para substituir o experiente Gary Neville. E o melhor, tem idade olímpica. Fico curioso apenas para saber o futuro de Maicon, que acredito que ainda é fundamental para a seleção. Na esquerda, volta à seleção aquele que foi um dos destaques na última Olimpíada, o também jovem Marcelo, do Real Madrid. Compondo essa posição, o ex-corinthiano André Santos, que chegou a ser cotado para ser o “6” da seleção de Dunga, mas que por boatos de seu mau comportamento fora dos campos acabou sendo deixado de lado. A meu ver é um bom jogador, mas que por muitas vezes é displicente e individualista. Eu deixaria Marcelo como titular e apostaria em Diego Renan, pois tem muito mais talento e tem idade para disputar a próxima Olimpíada.

E eis que chega o setor onde mais fiquei animado com tal convocação, o meio-campo. Primeiro, porque todos os volantes convocados sabem jogar bola, ou seja, os “brucutus” parecem não ter espaço com Mano Menezes. Lucas (Liverpool), Hernanes (São Paulo), Sandro (Internacional) e Ramires (Benfica) são incontestáveis. Já Jucilei, é compreensível, pois é um bom jogador e trabalhava com Mano no Corinthians. Mas não tendo idade olímpica, vejo melhores jogadores a disposição, como Denílson (Arsenal) e Arouca(Santos). E segundo, fiquei feliz com a convocação de Paulo Henrique Ganso, que há seis meses é o melhor meia do futebol brasileiro e tem um futuro brilhante pela frente. Os outros meias são o ex-gremista Carlos Eduardo, que chegou a ser chamado por Dunga, mas não teve oportunidades reais, e Éderson, que saiu muito jovem do Juventude, se destacou no Nice, e hoje está no Lyon. Do meio-campo, Sandro e Ganso tem idade olímpica.

E por fim, o ataque. Mano Menezes apostou no entrosamento santista, chamando Robinho, Neymar e a surpresa André, que não é dos melhores, mas que a exemplo de Alexandre Pato, outro convocado, tem idade olímpica. Outra surpresa é que foram chamados cinco atacantes, e não os 4 habituais, e todos eles jogadores leves. Quem fecha a lista é Diego Tardelli, que fez uma excepcional temporada em 2009, mas que em 2010 ainda não engatou. Prefiro nomes como Fred, Kléber e Nilmar.

Contudo, vale destacar que a primeira convocação na Era Mano Menezes foi toda voltada para o projeto de renovação da seleção brasileira principal e também na formação daquela que vai entrar em campo na Olimpíada de Londres, em 2012. No total foram 24 convocados(a depender de quem passe para a final da Libertadores, Sandro ou Hernanes será cortado), sendo sete com idade olímpica, dez novatos e apenas quatro remanescentes do fracasso na África do Sul. Outro número interessante é de jogadores que atuam no futebol brasileiro: 12. Porém, isso pode ser explicado pela informação dada pelo próprio Mano Menezes, que ligou para todos os jogadores do exterior que lhe interessava para saber como estavam, e ouviu de um que esteve na última Copa que não estava bem para voltar a ser convocado (ele também disse que não é Kaká). Sabendo disso, deixo três perguntas:

1)      Quem você acha que estava na Copa e pediu dispensa desta vez?

2)      Você gostou da convocação?

3)      Quem daqueles que estiveram na Copa você manteria no projeto para 2014?

 Bomba! Fluminense não libera Muricy para a seleção…

23 de julho de 2010 por Carlosergipe | Copa 2014

Acaba de sair a informação que o Fluminense não liberou o técnico Muricy Ramalho para ser o novo comandante da seleção brasileira.

O que é muito é que Muricy Ramalho teve uma conversa hoje pela manhã com o presidente da CBF, Ricardo Teixeira, no Rio de Janeiro, onde o treinador aceitou o convite.

Agora à tarde, ele foi às Laranjeiras comunicar a proposta e resolver a liberação. Ao chegar ao Fluminense, o treinador recebeu da diretoria um “NÃO!” e que por hipótese alguma o clube o liberaria antes do término do contrato, que é no final de 2012.

Vale lembrar que o clube carioca e a CBF não tem um bom relacionamento devido a última eleição do Clube dos 13, vencida por Fábio Koff.

Espertos, o dirigentes do Fluminense proibiram Muricy Ramalho de dar entrevistas hoje. O que leva a entender que novos capítulos da mais nova novela do futebol brasileiro virão…

 Muricy Ramalho: Tinha que ser ele!

23 de julho de 2010 por Carlosergipe | Copa 2014
Será que ele vai repetir esse mesmo gesto com o Brasil em 2014?

Será que ele vai repetir esse mesmo gesto com o Brasil em 2014?

Quando a mídia colocou Mano Menezes como nome certo para assumir a seleção brasileira, fiquei decepcionado, e por isso já estava preparando meu desabafo para colocar aqui. Afinal, mesmo dirigindo um dos maiores times do futebol brasileiro, só havia levantado caneco de Série B, Paulistão e Copa do Brasil. Mas os Deuses do futebol não deixaram, ou melhor, a CBF finalmente fez algo que todos têm que elogiar, digno de muitas palmas. Até porque, se na seleção nós queremos sempre os melhores jogadores, porque não ter o melhor técnico do Brasil, aquele que de 2005 a 2008 foi escolhido o melhor do Brasileirão, que é tricampeão brasileiro… É Mano, você vai ter que comer muito feijão ainda para chegar nesse status.

Contudo, agora temos um técnico que privilegia o talento, mas que não se esquece da garra, do trabalho, do comprometimento. Na teoria e na prática, um comandante acostumado a vencer, a brigar por tudo em que disputa. A verdade, caro leitor, é que a seleção brasileira agora tem um técnico de verdade, que tem a maior missão que qualquer técnico no mundo pode ter: ganhar com o Brasil a Copa 2014.

A pergunta que fica é a seguinte: muitos descartaram Muricy, pois achavam que a CBF queria um técnico “pau mandado” e que por hipótese alguma tivesse um comportamento parecido com o de Dunga. Sabendo da personalidade forte de Muricy Ramalho, é possível acreditar em interferência da CBF em seu trabalho?

 

Currículo:

A carreira de Muricy como treinador começou como auxiliar de Telê Santana no São Paulo. Depois disso ele treinou os seguintes clubes:

1997 – Guarani

1999 – Ituano

1999 – Botafogo-SP

2000- Santa Cruz 

2001/2002- Náutico

2002- Figueirense

2003 – Internacional

2004- São Caetano

2005- Internacional

2006/2008- São Paulo

2009/2010- Palmeiras

201o – Fluminense

* No exterior, trabalhou no  Shangai Shenhua, da China, em 1993.

Titulos

1994 – Copa Conmebol com o São Paulo (na ocasião, Muricy comandou os reservas do São Paulo)

2001/2002- Bicampeão pernambucano pelo Náutico

2003- Campeão gaúcho pelo Inter

2004- Campeão paulista pelo São Caetano

2005- Campeão gaúcho pelo Inter

2006/2007/2008- tricampeão brasileiro pelo São Paulo

O futebol brasileiro voltou com tudo. Na Série A, Corinthians e Fluminense ameaçam monopolizar a briga pelo título. Na Série B, o Sport reagiu, e como disse aqui no início do ano, deve brigar pelo título da segundona. Na Série C, o Fortaleza decepcionou na estreia, onde só empatou em casa contra o Águia de Marabá. Na Série D, o prejuízo é maior. Com todo respeito ao CSA, o maior campeão alagoano, o Santa Cruz não poderia começar mais uma vez uma quarta divisão decepcionando. Perdeu em casa, e depois de um ano inteiro ressaltando planejamento e profissionalismo no futebol, já mudou de técnico.

Campeonato Brasileiro a parte, o que vai mexer com a cabeça do torcedor a partir da próxima semana é a final da Copa do Brasil e a semifinal brasileira da Libertadores da América. A primeira tem como protagonistas o representante nordestino, o Vitória, e aquele time que jogou o melhor futebol do primeiro semestre, o Santos. A segunda, envolve o time que mais cresceu na reta final da maior competição das Américas, o São Paulo, e aquele que vinha vencendo, mas não convencendo, o Internacional.

O interessante do duelo da final da Copa do Brasil é que lembra o que aconteceu m 2008, quando o Corinthians enfrentou o Sport. Ninguém dava bola para o time nordestino e o time paulista era colocado como campeão. O final da história você já conhece, o “pequeno” venceu o “grande”, e o improvável para a grande mídia, aconteceu. E isso pode se repetir agora, ainda mais vendo as declarações dos santistas depois de duas derrotas seguidas no Brasileirão. A desculpa sempre é a mesma: “Estamos na final da Copa do Brasil”. E eu me pergunto: “Eles já ganharam a Copa do Brasil?”.

Já na Libertadores, a pimenta que vem dando o que falar é a abertura antecipada da janela de contratações do exterior, que beneficia diretamente o Inter, que contratou jogadores de nível de seleção brasileira que normalmente não poderiam ser inscritos: o atacante Rafael Sóbis, o meia Tinga e o goleiro Renan. Porém, a CBF mandou um ofício para a Fifa, que liberou a inscrição destes e de todos os jogadores que vieram para o Brasil.

Que foi uma atitude motivada por briga política, pois o São Paulo não votou no candidato da CBF para a presidência do Clube dos 13, isso ninguém tem dúvidas. E que isso é bom para todos os clubes brasileiros que contrataram, ninguém pode contestar. O que é estranho é que o São Paulo reclama hoje de uma situação que para ele já foi benéfica e decisiva para conquistar um título paulista. Em 1998, o craque Raí chegou do exterior e foi liberado pela mesma CBF para jogar a final contra o Corinthians, quando inclusive, marcou o gol do título.

A verdade é que tanto Santos como São Paulo, começaram a perceber que aquilo que parecia imperdível, se tornou possível de acontecer. A parada da Copa do Mundo fez muito mal ao Santos, que tem Paulo Henrique voltando de cirurgia e problemas de relacionamento no grupo. Por sua vez, o São Paulo não está mais embalado como antes e não contratou ninguém. Para piorar, tanto Vitória como Internacional, voltaram jogando um bom futebol e conseguindo grandes resultados. Não adianta negar, Santos e São Paulo estão é com medo… Você concorda?